Reconstrução do esqueleto de Staurikosaurus pricei (Dinosauria, Theropoda): Uso de Scanner Laser 3D e modelagem virtual tridimensopnal para reconstruir vertebrados fósseis.
Orlando Nelson Grillo
Novos métodos de computação gráfica avançada, que incluem tomografia computadorizada, scanner laser 3D e programas de animação tridimensional, vêm sendo aplicados em estudos de biomecânica, fisiologia e anatomia de vertebrados extintos, substituindo ou complementando métodos tradicionais. Os scanners laser 3D permitem digitalizar a forma dos ossos e criar um modelo manipulável em ambiente virtual.
No presente trabalho usou-se um scanner laser 3D associado a um software de edição gráfica para reconstruir o esqueleto do mais antigo dinossauro terópode do Brasil, Staurikosaurus pricei, do Triássico Superior do Rio Grande do Sul (formação Santa Maria).
O método permitiu corrigir deformações e fraturas causadas por efeitos pós-deposicionais. Distorções na curvatura do fêmur e na forma dos púbis foram corrigidas a partir de linhas ou planos de referência que permitiram descobrir o sentido em que ocorreram as deformações.
Linhas de regressão para as medidas de altura e comprimento do centro das vértebras caudais permitiram posicionar as seqüências preservadas da região mediana da cauda e indicam que seu comprimento total era de cerca de 135 cm e que os processos transversos estavam presentes até a 25ª vértebra caudal, pelo menos.
Ossos não preservados (crânio, braços e pés) foram reconstruídos com base em Herrerasaurus ischigualastensis.
Esse processo de reconstrução do esqueleto é importante para que se possa empregar o modelo em estudos de movimentação e no cálculo da massa corporal e do centro de massa.
O esqueleto, completamente articulado, permitiu determinar o mais provável aspecto de Staurikosaurus e estimar seu comprimento em 225 cm. Além de permitirem estudos como este, scanners laser 3D podem ser empregados na criação de um banco de dados virtual contendo modelos de exemplares fósseis.